A última visão
Hospital. A tevê da sala de espera exibia a cobertura do velório do Rei recém falecido. Acompanhado de Lucas e Pedro, contemplo, incrédulo, a imagem. Ele se foi. O inventor do Brasil, o homem dos mil duzentos e tantos gols, três Copas, etc., se foi. Devia ter mais gente aí. O país devia parar. Se fosse no México , talvez colocassem um aviso: “Hoje não vamos abrir, pois vamos ao enterro do Pelé”. Súbito, um carro para na entrada da Emergência. O filho desce desesperado, implorando por uma maca, pois seu pai jazia no banco de trás. Olho e vejo uma perna derramada para fora da porta veículo. Os rapazes do hospital tratam de providenciar o aparato, mas não ficam para ajudar o homem a colocar seu velho moribundo nele. O motorista do carro, impassível estava, impassível ficou. Então me disponho a ajudar. “Quer ajuda para colocá-lo na maca, amigo?” “Por favor!” Abordo o senhorzinho pelos braços. Estava desfalecido. De sua boca descia uma baba rala e discreta. Seus olhos, virados, c...